Quem é Luiz Estevão, dono do Metrópoles, que já foi preso por corrupção e recebeu R$ 27 milhões do Master
Dono do Metrópoles, Luiz Estevão foi condenado a 31 anos de prisão por corrupção e voltou ao centro do debate após relatório do Coaf apontar repasses milionários do Banco Master a empresas ligadas ao empresário
Por Ivan Longo | Revista Fórum
09/04/2026 06:17
O nome de Luiz Estevão, dono do portal Metrópoles, voltou ao centro do noticiário após a revelação de que o Banco Master repassou mais de R$ 27 milhões à empresa do grupo entre 2024 e 2025.
Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), parte desses valores foi transferida de forma imediata para empresas ligadas ao próprio empresário e a seus familiares. O documento classifica as operações como “inusitadas” e aponta movimentações fora do padrão esperado para o faturamento da empresa.
A revelação colocou novamente em evidência a trajetória de Luiz Estevão, marcada por condenações judiciais, passagem pela prisão e atuação empresarial em diferentes setores.
Ex-senador cassado e condenado por corrupção
Luiz Estevão foi o primeiro senador da história do Brasil a ter o mandato cassado, em 2000, após envolvimento em um dos maiores escândalos de corrupção do país.
O caso está relacionado a irregularidades nas obras do Fórum Trabalhista de São Paulo, nos anos 1990. Após uma longa disputa judicial, ele foi condenado a 31 anos de prisão por crimes como corrupção ativa, peculato, estelionato e formação de quadrilha.
O ex-senador começou a cumprir pena apenas em 2016, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou seus últimos recursos.
Prisão domiciliar e indulto
Após anos de recursos judiciais, Luiz Estevão foi preso e iniciou o cumprimento da pena em regime fechado. Com o tempo, progrediu para o regime semiaberto e, posteriormente, para o regime aberto.
Em 2020, deixou a prisão e passou a cumprir pena em regime domiciliar, em meio às medidas adotadas durante a pandemia.
Posteriormente, foi beneficiado por um indulto concedido com base no decreto de Natal assinado pelo então presidente Jair Bolsonaro, que permitiu o perdão da pena para condenados com mais de 70 anos que já haviam cumprido parte da condenação — incluindo crimes como corrupção.
Empresário influente em Brasília
Mesmo após a condenação, Luiz Estevão manteve forte atuação empresarial em Brasília. Ele controla o Grupo OK, com negócios nas áreas imobiliária, eventos e comunicação.
Nos últimos anos, ampliou sua presença também no setor esportivo. Reportagens mostram que ele passou a atuar diretamente na organização de eventos e na negociação de direitos comerciais de competições, como a Série D do Campeonato Brasileiro.
Foi nesse contexto que ele articulou um acordo com o Will Bank, então ligado ao Banco Master, para patrocínio e venda dos naming rights da competição em 2025.
Relação com o Banco Master
O relatório do Coaf citado pelo jornal Estadão aponta que o Banco Master foi o principal remetente de recursos ao Metrópoles em 2025.
Os repasses ocorreram justamente no período em que o banco, controlado por Daniel Vorcaro, que está preso, enfrentava uma crise que culminou na investigações por suspeita de fraude financeira e, posteriormente, na liquidação da instituição pelo Banco Central.
Parte dos valores transferidos ao Metrópoles foi direcionada a empresas ligadas a Luiz Estevão, como Madison Gerenciamento, Sense Construções e Macondo Construções, todas com participação do empresário ou de familiares.
Atuação do Metrópoles e questionamentos
A revelação dos repasses ocorre em meio à publicação, pelo Metrópoles, de reportagens que abordam, em tom de suspeição, relações do Banco Master com políticos, autoridades e integrantes do sistema institucional.
Ao mesmo tempo, o portal não informou ao leitor, em sua própria cobertura, que sua empresa havia recebido valores milionários do banco.
Além disso, o histórico recente do veículo inclui episódios questionados por especialistas e advogados, como a publicação de reportagem com informações incorretas sobre o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) e a tentativa de venda de conteúdo pago à entidade antes da divulgação da matéria.
Declaração de Luiz Estevão
Luiz Estevão nega irregularidades nos repasses e afirma que os valores têm origem contratual. Segundo ele:
“O dinheiro que eu recebi passa a ser meu e faço com ele o que eu quiser. Posso comprar publicidade no Estadão, posso transferir esses recursos para outras empresas minhas, comprar um imóvel, fazer o que quiser.”
Ele também afirma que os valores não são excessivos e que parte do montante sequer foi quitada pelo banco.