Polícia Federal cumpre mandados em PE e no RJ após fundo previdenciário de Paulista investir mais de R$ 3 milhões no Master

Operação Take Over cumpre, nesta quarta-feira (10), dez mandados de busca e apreensão no Recife, em Paulista e no Rio de Janeiro para apurar irregularidades na gestão do PreviPaulista.

Por Taynã Olimpia, Bruno Marinho, Léo Arcoverde, Tulio Amanso e Rafael Nascimento | g1 PE e g1 RJ

10/06/2026

Polícia Federal cumpre mandados em PE e no RJ após fundo previdenciário de Paulista investir mais de R$ 3 milhões no Master
Policiais federais cumprem mandados de busca e apreensão em Paulista, no Grande Recife — Foto: PF/Divulgação

A Polícia Federal (PF) investiga irregularidades na gestão do fundo de previdência de Paulista, no Grande Recife, após a aplicação de mais de R$ 3 milhões no Banco Master, que foi liquidado em novembro de 2025. Nesta quarta-feira (10), a Operação Take Over cumpriu dez mandados de busca e apreensão em Pernambuco e no Rio de Janeiro.

Segundo a PF, as aplicações irregulares provenientes do fundo municipal foram direcionadas a “investimentos com grau de risco por meio de decisões em desacordo com as normas legais e com os procedimentos de governança exigidos para a administração de recursos previdenciários”. As aplicações foram feitas em letras financeiras – que é um título de renda fixa emitido por instituições financeiras para captar recursos – do Banco Master.

A PF apura, ainda, indícios de esvaziamento das funções do comitê de investimentos responsável pela análise técnica e pela aprovação das aplicações financeiras do fundo previdenciário. Segundo a investigação, isso pode ter comprometido os mecanismos de controle e fiscalização dos recursos destinados à aposentadoria dos servidores municipais.

“A investigação busca esclarecer se a conduta caracteriza gestão temerária ou fraudulenta e apurar eventual prática de crimes contra a administração pública e o sistema financeiro, além do recebimento de vantagens indevidas pelos gestores do fundo”, disse a PF em nota sobre a Operação Take Over.

Segundo o Ministério da Previdência Social, a quantidade de assegurados e beneficiários do fundo de previdência em Paulista é de 5.335 pessoas. Todos os mandados foram expedidos pela Justiça Federal e são cumpridos no Recife; em Paulista, na Região Metropolitana; e na cidade do Rio de Janeiro, em residências e empresas. Ninguém foi preso na operação, segundo a PF.

Uma das pessoas ouvidas nesta quarta-feira foi a diretora-presidente do PreviPaulista, Giovanna Maria Oliveira da Conceição Cordeiro, que não era gestora do fundo na época das supostas irregularidades (veja resposta do instituto mais abaixo).

A prefeitura de Paulista disse que “todas as informações e documentos solicitados estão sendo disponibilizados aos órgãos competentes”. Já o PreviPaulista afirmou que sua capacidade financeira de honrar com os compromissos “permanece plenamente assegurada, e o pagamento dos benefícios previdenciários aos servidores não foi e não será afetado por este evento” (veja notas mais abaixo).

O g1 questionou à PF o que foi apreendido nas três cidades, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.

O que diz a prefeitura de Paulista

Em nota, a prefeitura de Paulista afirmou que:

  • policiais federais foram ao Instituto de Previdência Social do Município do Paulista (PreviPaulista) “para a realização de diligências relacionadas à apuração de aportes financeiros efetuados, no ano de 2024, junto ao Banco Master“;
  • “a atual gestão esclarece que os fatos objeto da investigação referem-se a atos praticados na administração anterior”;
  • “desde o início da diligência, todas as informações e documentos solicitados estão sendo disponibilizados aos órgãos competentes, em total colaboração com o trabalho investigativo”.
  • a gestão municipal e o PreviPaulista “permanecem à disposição das autoridades para contribuir com os esclarecimentos necessários e acompanharão o andamento das apurações pelos canais institucionais competentes”.

 

O ex-prefeito de Paulista Yves Ribeiro (MDB), que chefiava o município em 2024, divulgou uma nota de esclarecimento em que disse não ter autorizado ou realizado nenhuma aplicação de recurso do Regime Próprio de Previdência de Paulista.

“Trata-se de entidade com autonomia, independência, com seus conselhos de administração e investimentos. Posso afirmar que jamais iria orientar ou aconselhar investimentos em bancos que não fossem os bancos públicos Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, ou bancos privados como o Bradesco e o Itaú. Sempre pautei minha vida com trabalho e honestidade. Uma vida pública marcada por zelo ao erário público. Acompanharei atento os desdobramentos das investigações, primando sempre pela verdade e justiça”, diz a nota.

Resposta do fundo previdenciário de Paulista

Por meio de nota assinada pela diretora-presidente do PreviPaulista, Giovanna Maria Oliveira da Conceição Cordeiro, o instituto disse que:

  • “desde o início da diligência, […] disponibilizou integralmente todos os documentos e informações solicitados pelos agentes federais, em total colaboração com o trabalho investigativo”;
  • “os fatos objeto da apuração referem-se a ato praticado em fevereiro de 2024, no curso da gestão anterior do Instituto”;
  • “reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos”;
  • “muito antes da deflagração da operação policial, […] já havia identificado, apurado e encaminhado aos órgãos de controle as irregularidades relacionadas ao investimento”.

 

Ainda no texto, a autarquia responsável pela gestão previdenciária dos servidores públicos municipais de Paulista listou as providências adotadas, em ordem cronológica, que “demonstram a diligência do Instituto”. Foram elas:

  • Julho de 2025: realização de um diagnóstico da carteira de investimentos e atenção específica às letras financeiras do Banco Master;
  • Ainda em 2025: monitoramento “em regime intensivo” dos sucessivos rebaixamentos da classificação de risco do Banco Master pela agência Fitch Ratings;
  • 21 de novembro de 2025: três dias após a decretação da liquidação extrajudicial pelo Banco Central do Brasil, teve início o “processo de contingenciamento debatido pelo atual Comitê de Investimentos, que não aprovou o investimento no Master em 2024”;
  • 8 de janeiro de 2026: instauração, através da Portaria nº 02/2026, de “uma Sindicância Administrativa Investigativa, conduzida por comissão composta exclusivamente por servidores do quadro efetivo, com colheita de depoimentos de todos os envolvidos no processo decisório”;
  • Março de 2026: conclusão do Relatório Final da Sindicância, que apontou que a aplicação nas letras financeiras do Master foi uma decisão unilateral do então diretor-presidente do PreviPaulista, integrante da gestão anterior, “sem deliberação colegiada prévia do Comitê de Investimentos, sem consulta à consultoria de investimentos e sem a elaboração do Atestado de Compatibilidade exigido pelas normas aplicáveis”;
  • 6 de maio de 2026: aprovação por unanimidade, em sessão extraordinária conjunta dos Conselhos Deliberativo e Fiscal do PreviPaulista, do “envio das conclusões da Sindicância ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), bem como o ajuizamento das medidas judiciais de responsabilização”.
“As conclusões a que a investigação ora deflagrada se propõe a chegar já haviam sido, em grande medida, alcançadas e formalizadas pelo próprio Instituto, por iniciativa própria, com encaminhamento espontâneo aos órgãos de controle competentes”, disse o PreviPaulista.

A resposta do fundo previdenciário de Paulista também trouxe as seguintes informações:

  • segundo o Ministério da Previdência Social, estados e municípios em todo o país “aplicaram, entre 2023 e 2024, valores que somam aproximadamente R$ 1,86 bilhão” em letras financeiras emitidas pelo Master;
  • o aporte realizado pelo PreviPaulista no valor de R$ 3 milhões “figura entre os menores valores de toda a relação nacional”;
  • a exposição do PreviPaulista ao Master “representa parcela ínfima da carteira total de investimentos do Instituto, que administra patrimônio superior a R$ 140 milhões”;
  • sua capacidade financeira de honrar com os compromissos “permanece plenamente assegurada, e o pagamento dos benefícios previdenciários aos servidores não foi e não será afetado por este evento”;
  • “segue cumprindo e superando sua Meta Atuarial, mantendo-se entre os melhores Regimes Próprios de Previdência Social do Estado de Pernambuco em termos de rentabilidade e governança”;
  • “reafirma seu compromisso inegociável com a proteção do futuro dos servidores públicos de Paulista e manterá a sociedade informada sobre o andamento das medidas adotadas”.
Notícia anterior
Próxima notícia

Deixe seu comentário

Mais lidas na semana

Confrontos em Rio das Pedras chegam ao 10º dia; madrugada foi de tiroteio
Confrontos em Rio das Pedras chegam ao 10º dia; madrugada foi de tiroteio
PGR autoriza investigação sobre possível intervenção federal na Alerj
PGR autoriza investigação sobre possível intervenção federal na Alerj
Câmara de Belford Roxo mantém diretor condenado a 17 anos de prisão
Câmara de Belford Roxo mantém diretor condenado a 17 anos de prisão
MPRJ cumpre mandados na Prefeitura de Búzios em investigação sobre uso de areia de lixão em campo de futebol
MPRJ cumpre mandados na Prefeitura de Búzios em investigação sobre uso de areia de lixão em campo de futebol
PSDB e PSD pagaram R$ 1,1 milhão para aliada da “rainha do pó” em MG
PSDB e PSD pagaram R$ 1,1 milhão para aliada da “rainha do pó” em MG (VIDEO)

As consequências do seu voto.

© 2026 Criado por AquiTem! Internet