Novo caso Master: entenda a operação da PF de R$ 670 mi contra o banco Digimais, de Edir Macedo

Operação Miragem mira suspeitas de fraude contábil, bloqueia até R$ 670,3 milhões e retoma alertas já publicados pela Fórum sobre o banco

Por Diego Feijó de Abreu | Fórum

23/06/2026

Novo caso Master: entenda a operação da PF de R$ 670 mi contra o banco Digimais, de Edir Macedo
Edir Macedo dono do Banco Digimais - Reprodução

O Banco Digimais, de Edir Macedo, virou alvo da Polícia Federal nesta terça-feira (23) em uma operação contra suspeitas de fraudes no Sistema Financeiro Nacional, com bloqueio autorizado de até R$ 670,3 milhões em bens e valores ligados aos investigados.

A operação, chamada Miragem, cumpre nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e foi baseada, segundo a investigação, em relatórios do Banco Central que apontaram irregularidades na condução da instituição financeira.

Mais de 50 policiais federais participam da ação. A Justiça Federal também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e controlador do Digimais, aparece entre os alvos da apuração.

Banco Digimais, de Edir Macedo, já estava na mira da Fórum

A operação desta terça-feira (23) não surge do nada. A Fórum já vinha mostrando, desde fevereiro, a deterioração financeira do banco de Edir Macedo e as semelhanças entre o caso Digimais e o escândalo do Banco Master.

Em 27 de fevereiro, a Fórum revelou que Edir Macedo havia injetado R$ 250 milhões no próprio banco para tentar conter a crise da instituição em meio ao escândalo do Master.

Naquele momento, a crise do Digimais já era associada à compra de fundo com papéis ligados ao Banco Master e à Reag, de Fabiano Zettel. O aporte milionário do bispo funcionou como tentativa de recompor capital e evitar um colapso imediato da instituição.

PF apura manipulação de balanços e receitas artificiais

Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta que administradores do Digimais teriam manipulado balanços e resultados contábeis para esconder a real situação econômico-financeira do banco e transmitir aos órgãos de controle uma aparência de solvência incompatível com a condição da instituição.

A apuração também menciona suspeitas de supervalorização de ativos e geração artificial de receitas de centenas de milhões de reais. Outra frente investiga operações financeiras supostamente ilegais em benefício da empresa controladora do banco.

Os investigadores ainda apuram possível falsificação e manipulação de informações inseridas em sistemas oficiais do órgão regulador. Os investigados podem responder, conforme a participação de cada um, por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e operações de crédito vedadas pela legislação do Sistema Financeiro Nacional.

Compra pelo BTG com FGC ampliou alerta sobre o Digimais

Em 9 de abril, a Fórum mostrou que o BTG Pactual havia fechado acordo para comprar o Banco Digimais, em uma operação com uso de recursos do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC.

A reportagem apontou que a engenharia financeira repetia a lógica vista no caso Master: absorver a parte considerada saudável do banco em crise, enquanto a estrutura de socorro institucional ajudava a mitigar os riscos de uma quebra desordenada.

O negócio reforçou a leitura de que o Digimais já era tratado como um problema sensível para o sistema financeiro. A operação dependia de aval do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade.

Fórum revelou papéis podres, carros roubados e R$ 480 milhões

O alerta mais direto veio em 18 de maio, quando a Fórum publicou que o Banco Digimais negociava papéis podres e repassava carteiras com carros roubados.

A reportagem mostrou que a PF já investigava o banco por suspeitas de maquiagem de resultados, negociação de ativos problemáticos e venda de carteiras de financiamento com irregularidades graves.

O ponto central era a suspeita de que o Digimais deixou de declarar pelo menos R$ 480 milhões em créditos vencidos que deveriam reduzir o resultado informado pela instituição. A manobra teria permitido ao banco apresentar lucro contábil apesar da deterioração de sua carteira.

Por que a operação é chamada de novo caso Master

A comparação com o Banco Master vem da combinação de três elementos: ativos considerados problemáticos, suspeitas de maquiagem contábil e uso de mecanismos de mercado para tentar preservar a parte saudável de uma instituição em crise.

No caso do Digimais, a PF agora mira justamente o núcleo que a Fórum já havia destacado: a suspeita de que balanços e demonstrativos foram usados para esconder a real situação do banco de Edir Macedo.

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