Procurada, a assessoria de Henrique Vorcaro disse que o liquidante usa “afirmativas inverídicas e sem respaldo de provas” para tentar bloquear o patrimônio do empresário no exterior.
A ação detalha quatro esquemas pelos quais Henrique e Natália teriam recebido recursos do Master sem dar contrapartida real ao banco.
O intuito do levantamento é explicar à Justiça americana que, na visão do liquidante, pai e irmã se comportaram como laranjas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O primeiro esquema envolve empréstimos a empresas de saúde. Entre 2019 e 2020, o Grupo Promed e outras empresas ligadas a Henrique obtiveram R$ 230 milhões em crédito do Master e de fundos do banco.
Nenhum empréstimo foi pago.
Em outra ocasião, houve a venda ao banco de recebíveis sem valor real. Empresas atribuídas a Henrique venderam ao City Fund — fundo 100% do Master — créditos no valor nominal de R$ 640 milhões em troca de R$ 470 milhões.
O terceiro esquema envolve a Terra Santa, administradora de cemitérios controlada pela família Vorcaro. A empresa recebeu R$ 230 milhões de dois fundos ligados ao Master entre 2017 e 2019.
Por último, o liquidante cita o City 2 Fund, criado a partir do City Fund em setembro de 2022. O Master transferiu mais de R$ 1 bilhão ao fundo, dos quais R$ 589 milhões foram repassados a empresas apontadas como sendo de Henrique.
Nos e-mails corporativos de Daniel no Banco Master, o liquidante encontrou um rascunho de contrato de opção de compra de ações em que Henrique aparece como titular formal de 80% de duas empresas ligadas ao esquema.
O documento previa que Daniel poderia adquirir essas participações a qualquer momento por R$ 1,00.
Também foi encontrado um rascunho de contrato de opção de compra de imóveis com a mesma lógica: Henrique compraria propriedades por meio de intermediários e as transferiria a Daniel por R$ 1.
A documentação comprova, para o liquidante, que o intuito dessas transações era apenas deixar os bens de Daniel Vorcaro na titularidade de terceiros.
A ação cita ainda a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro de 2026, em que a Polícia Federal citou R$ 2,2 bilhões em uma conta de Henrique na Reag, gestora de investimentos.
Em nota, a assessoria de Henrique disse que a tentativa de bloqueio “já foi refutada várias vezes pela Justiça americana” — referindo-se a pedidos que não foram atendidos, por enquanto, na Justiça da Flórida — e que o patrimônio dele foi acumulado em 40 anos de vida empresarial.
“Enquanto tenta avançar sobre o patrimônio de terceiros, o liquidante foge às suas obrigações de prestar contas das suas ações à frente do Banco Master, já que até o momento não trouxe a público a informação de quanto tem gastado por mês, inclusive com a contratação de diversos auxiliares e escritórios de advocacia no Brasil e no exterior”, diz a assessoria de Vorcaro, em nota.
“Seria benéfico a todo processo que ao invés de atuar de forma repetitiva, o liquidante se ocupasse em dar transparência e publicidade às medidas que estão sendo adotadas contra diretores e acionistas do banco visando a recuperação de ativos.”