PF mira pessoas ligadas a líder do PL em operação sobre suspeita de desvios de cota parlamentar

Operação desta quarta (1º) investiga pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante, segundo apurou o blog. Parlamentar não é alvo desta fase, mas já foi em etapa anterior da investigação.

Por Camila Bomfim, Márcio Falcão, Ana Flávia Castro e Filipe Matoso | g1

01/07/2026

PF mira pessoas ligadas a líder do PL em operação sobre suspeita de desvios de cota parlamentar
Reunião de Líderes. Dep. Sóstenes Cavalcante (PL - RJ) — Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (1º), a terceira fase da Operação Rent a Car, chamada de Galho Fraco II, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos vindos de cotas parlamentares.

A operação mira pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados, segundo informações obtidas pelo blog.

O parlamentar não está entre os alvos desta quarta, mas já foi em uma etapa anterior da investigação.

GloboNews entrou em contato com Sóstenes Cavalcante, que afirma não ter tomado conhecimento da decisão. “Assim que souber vou me manifestar como sempre fiz”, disse.

🔎 Cota parlamentar é um valor mensal em dinheiro que deputados e senadores recebem do orçamento público para cobrir despesas ligadas diretamente ao exercício do mandato, como passagens aéreas, hospedagens, alimentação, manutenção de escritório e contratação de consultorias, por exemplo. É um recurso extra, além do salário.

De acordo com investigadores, esta fase da operação tem como objetivo apurar a versão do deputado sobre dinheiro achado pela PF em endereço ligado a ele durante a segunda fase da operação, em dezembro do ano passado.

Na época, R$ 470 mil em dinheiro vivo foram encontrados durante busca e apreensão. Ele justificou que os recursos seriam originados da venda de um imóvel, mas a PF suspeita desta versãoPor isso, cumpre diligências para aprofundar as investigações.

Nesta fase, entre os alvos não há assessores do deputado federal na Câmara dos Deputados. São três pessoas físicas (empresários) e duas pessoas jurídicas relacionadas, alvos de mandados de busca e apreensão. Eles teriam apresentado até um contrato falso para justificar a transação financeira, segundo investigadores.

Operação da PF

As medidas judiciais, autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), são cumpridas no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais para coleta e preservação de elementos de prova.

Segundo a PF, as investigações apontam indícios de possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente utilizadas para dar aparência de legalidade ao desvio de recursos públicos.

Há também indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode caracterizar fraude processual.

Nas fases anteriores, foram identificadas supostas irregularidades na contratação de empresa de locação de veículos com recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap).

Além de Sóstenes Cavalcante, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) foi alvos de mandados de busca e apreensão, assim como assessores e advogados dos parlamentares.

A atual fase aprofunda as apurações sobre a movimentação e a destinação desses recursos.

Dinheiro em 'livro falso'

Agentes da PF encontraram, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, dinheiro em espécie dentro de um objeto decorativo que simula um livro falso. O montante foi localizado no endereço de um advogado ligado a Sóstenes no DF.

Operações Rent a Car e Galho Fraco I

A terceira fase da Operação Rent a Car, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (1º), é um desdobramento de uma investigação que, em dezembro do ano passado, teve como alvos os deputados federais Carlos Jordy (PL-RJ) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara.

Na ocasião, os parlamentares foram alvo de mandados de busca e apreensão sob suspeita de desviar recursos públicos vindos de cotas parlamentares.

Segundo as investigações, os deputados teriam utilizado empresas de fachada, entre elas, uma locadora de veículos, para justificar despesas custeadas com dinheiro público.

A principal suspeita da PF é que contratos de aluguel de veículos eram usados para dar aparência de legalidade ao desvio de recursos da verba parlamentar.

A operação realizada em dezembro foi um desdobramento da Rent a Car, iniciada após diligências contra assessores ligados aos parlamentares. De acordo com a Polícia Federal, a análise de mensagens de celular, depoimentos e quebras de sigilo levaram aos indícios contra os parlamentares.

As investigações apontam que agentes públicos, servidores comissionados e particulares teriam atuado de forma coordenada para desviar orçamento público e ocultar a origem do dinheiro. Entre os crimes investigados estão peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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