Rivais mantêm ‘pacto de silêncio’ e evitam explorar operação contra Jaques Wagner na Bahia

ACM Neto optou por não explorar publicamente a operação da Polícia Federal que mirou o petista, e disse que 'questão cabe ao Judiciário'

Por Luis Felipe Azevedo | O Globo

22/06/2026

Rivais mantêm 'pacto de silêncio' e evitam explorar operação contra Jaques Wagner na Bahia
ACM Neto e Jaques Wagner — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo | Brenno Carvalho/O Globo
Principal rival do PT na Bahia, o grupo político de ACM Neto (União Brasil) optou por não explorar publicamente a operação da Polícia Federal (PF) que mirou o senador Jaques Wagner, que tenta a reeleição na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Como mostrou o GLOBO em março, petistas e o grupo do ex-prefeito de Salvador, que também teve a campanha impactada após a revelação de pagamentos do Master, selaram um acordo nos bastidores para deixar o escândalo envolvendo Daniel Vorcaro fora da disputa eleitoral estadual deste ano.
 
Wagner é alvo de investigações que apuram se ele agiu em prol dos interesses do banqueiro e de seu ex-sócio Augusto Lima no Congresso em troca de “vantagens indevidas”. A PF suspeita da atuação do senador em projetos importantes para a instituição financeira, como a “emenda Master”, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em troca, o senador recebia benefícios, como aeronave à disposição, ingressos para shows internacionais e um apartamento de luxo de R$ 2,4 milhões em Salvador.
 
Neto evitou o tema nas redes sociais. Questionado por jornalistas durante agenda na última sexta-feira, o ex-prefeito evitou ataques diretos ao opositor:
 
— Essa é uma questão que cabe ao Judiciário. O que nós esperamos é que a investigação seja completa, isenta, correta e que, ao fim, se há responsáveis e culpados, que sejam punidos. É aguardar para ver os desdobramentos que eventualmente isso pode ter.

Repasse a Consultoria

A campanha de ACM Neto foi impactada pelo caso Master após documentos entregues pelo banqueiro à Receita Federal apontarem o pagamento de R$ 5,4 milhões ao ex-prefeito, por meio de sua empresa de consultoria, entre 2023 e 2025. Foram as conexões de ambos os grupos com o Master que os levaram a evitar trocas de acusações públicas.
 
O confronto coube ao ex-ministro da Cidadania de Jair Bolsonaro e presidente estadual do PL na Bahia, João Roma, que repercutiu a operação nas redes sociais. Roma compõe a chapa de ACM Neto e, assim como Jaques Wagner, tenta uma cadeira no Senado. Roma classificou a investigação como “muito grave” e defendeu que as investigações sejam conduzidas com independência e respeito ao devido processo legal.
 
Roma também criticou a postura do líder do governo no Senado em relação ao tema, afirmando que o assunto merece ser tratado com seriedade.
 
“O que mais espanta nesse caso é a forma debochada que ele sempre tratou do assunto, fazendo ilações a políticos adversários e escondendo suas relações, usando, inclusive, o termo pejorativo ‘cara pálida’”, escreveu.
 
O PT terá o governador Jerônimo como candidato à reeleição, enfrentando ACM Neto em uma reedição da apertada disputa de 2022, que foi vencida pelo petista no segundo turno com 52,8% dos votos. A pesquisa Genial/Quaest mais recente, de abril, mostrou um empate técnico entre os dois. Já a disputa pelas duas cadeiras do Senado tem o ex-governador Rui Costa e Wagner no lado petista contra Roma e o senador Angelo Coronel (Republicanos) na direita.
 
ACM Neto busca evitar a nacionalização do debate e se esquiva de um apoio formal à campanha de Flávio Bolsonaro ao Planalto, apesar de compor com o PL no estado. Já a campanha de Jerônimo tenta colocar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como peça central da campanha baiana.

Relações expostas

A PF apontou relação próxima de Wagner com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. A parceria entre o PT da Bahia e o empresário remete ao governo Rui Costa, quando ele privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo. A Ebal foi comprada por Lima, que também arrematou um cartão de crédito consignado para servidores e aposentados. O cartão, Credcesta, teve a operação expandida para todo o país em parceria com o Master, do qual virou sócio em 2019.

De acordo com o relatório da PF, citado na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Wagner foi autor de uma emenda a uma Medida Provisória, em março de 2022, que beneficiaria o Banco Master se fosse aprovada. O petista nega ter recebido qualquer valor relacionado à instituição liquidada ou agido para beneficiá-la.

Já ACM Neto argumenta que a relação com o Master foi firmada sem que qualquer um dos sócios da empresa “ocupasse cargo público à época da formalização e execução do contrato”. O ex-prefeito diz que fazia análise da “agenda político-econômica nacional” e que participou de uma série de reuniões com representantes do banco.
Notícia anterior
Próxima notícia

Deixe seu comentário

Mais lidas na semana

Confrontos em Rio das Pedras chegam ao 10º dia; madrugada foi de tiroteio
Confrontos em Rio das Pedras chegam ao 10º dia; madrugada foi de tiroteio
Câmara de Belford Roxo mantém diretor condenado a 17 anos de prisão
Câmara de Belford Roxo mantém diretor condenado a 17 anos de prisão
Alcolumbre trava fim da escala 6×1, mas acelera PEC que impõe rombo de R$ 28 bi ao governo Lula
Alcolumbre trava fim da escala 6×1, mas acelera PEC que impõe rombo de R$ 28 bilhões ao governo Lula
PGR autoriza investigação sobre possível intervenção federal na Alerj
PGR autoriza investigação sobre possível intervenção federal na Alerj
PSDB e PSD pagaram R$ 1,1 milhão para aliada da “rainha do pó” em MG
PSDB e PSD pagaram R$ 1,1 milhão para aliada da “rainha do pó” em MG (VIDEO)

As consequências do seu voto.

© 2026 Criado por AquiTem! Internet