Caiado deixa Goiás com 10 parentes no governo e supersalários pagos pelo estado

Após a Fórum revelar lei que favoreceu o Master, apuração mostra rede familiar de Caiado em cargos e salários que passam de R$ 650 mil por mês

Por Diego Feijó de Abreu | Revista Fórum

13/04/2026 08:04

Caiado deixa Goiás com 10 parentes no governo e supersalários pagos pelo estado
Ronaldo Caiado (PSD-GO) - Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Ronaldo Caiado deixou o governo de Goiás no último dia 31 para disputar a Presidência, mas saiu sob novo desgaste político. Um dia após a Fórum revelar que ele alterou uma lei estadual para favorecer operações do Banco Master no crédito consignado, veio à tona que ao menos 10 parentes do ex-governador seguem em cargos comissionados na estrutura estadual.

Segundo apuração da Folha, publicada nesta segunda-feira, 13, a folha de pagamento de março reúne 50 pessoas com o sobrenome Caiado no estado. Somadas, as remunerações passam de R$ 650 mil por mês. O grupo inclui aposentados, pensionistas, servidores efetivos, temporários e comissionados.

A nova revelação amplia a pressão sobre Caiado em um momento de exposição nacional. O ex-governador tenta se projetar como nome do PSD para a disputa presidencial de 2026, mas passa a enfrentar questionamentos sobre a presença de familiares na máquina pública e sobre a gestão de recursos e interesses privados em seu governo.

Parentes em cargos e salários pagos pelo estado

A lista citada pela reportagem inclui 10 parentes em postos de livre nomeação, além de três familiares ligados à Organização das Voluntárias de Goiás, a OVG, entidade que mantém parceria com o governo estadual. Entre os nomes mencionados estão primos de Caiado lotados em secretarias e órgãos do estado, além de aliados da família em funções estratégicas.

Também aparece na estrutura o secretário de Estado da Retomada, Cesar Augusto de Sotkeviciene Moura, casado com uma prima de Caiado. Na OVG, segundo a reportagem, há ainda parentes por afinidade e familiares ligados ao núcleo da ex-primeira-dama Gracinha Caiado.

O caso chama atenção não apenas pelo número de familiares na estrutura pública, mas pelo volume dos vencimentos. A própria reportagem aponta que a diretora-geral da OVG soma remuneração com assentos em conselhos de estatais e empresas públicas, elevando os ganhos mensais a patamar superior ao salário-base do cargo.

OVG e repasses milionários

A apuração também destaca que o último aditivo firmado para a OVG elevou em 70% o repasse estadual à entidade. O valor passou de R$ 434 milhões no período entre julho de 2024 e junho de 2025 para R$ 738 milhões entre julho de 2025 e junho de 2026. Página oficial de transparência da OVG no governo de Goiás

Embora a OVG tenha natureza própria, a vinculação política da entidade ao núcleo do governo reforça o peso da estrutura familiar e de confiança mantida por Caiado mesmo após sua saída formal do cargo. A permanência desse grupo sob Daniel Vilela, que assumiu o comando do estado, tende a manter o ex-governador no centro da crise.

Argumento jurídico não afasta desgaste político

Caiado afirmou à Folha que as nomeações foram analisadas pela Procuradoria-Geral do Estado e que estariam em conformidade com a Súmula Vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal, que trata de nepotismo. Pela interpretação mais comum, primos ficam fora da vedação direta prevista para parte dos cargos de confiança.

Ainda assim, especialistas ouvidos pela reportagem sustentam que situações desse tipo podem ser questionadas com base em princípios constitucionais como moralidade, impessoalidade e eficiência administrativa. Na prática, o debate deixa de ser apenas jurídico e passa a atingir o discurso de austeridade e gestão técnica que Caiado tenta sustentar no plano nacional.

A sequência dos fatos agrava esse cenário. Primeiro, a Fórum mostrou a mudança legal que beneficiou o Master após reunião com um diretor do banco. Agora, a revelação sobre parentes em cargos e salários bancados pelo estado reforça a percepção de uso político da estrutura pública no entorno de Caiado.

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Caiado alterou lei para favorecer Master em crédito consignado a servidores após reunião com diretor do banco

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