Thiago Rangel continuará preso, já que nesta quinta-feira (7), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a decisão do ministro Alexandre de Moraes. Foi referendada, então, a determinação do colega pela prisão do deputado estadual. Marcada em uma sessão extraordinária, a audiência ocorreu no plenário virtual, com início às 7h. Com a decisão, são três os deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) presos um período de sete meses: além de Rangel, estão nessa lista o ex-presidente da Casa, Rodrigo Bacellar, e o ex-parlamentar TH Joias, ambos acusados de ligações com o Comando Vermelho (CV), maior facção do tráfico de drogas do Rio de Janeiro.
Agentes da Polícia Federal haviam prendido Rangel (Avante) na última terça-feira (5). Ele e outras seis pessoas foram alvos da quarta fase da Operação Unha e Carne. O grupo é suspeito de atuar em organização criminosa envolvida em fraudes sistemáticas na compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma, na Secretaria estadual de Educação. Foi a terceira vez em sete meses que a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) tem um parlamentar preso.
Segundo relato da PF incluído na decisão de Moraes, a operação avançou a partir de dados extraídos de um computador apreendido na Alerj, em um local vinculado ao gabinete de Bacellar, preso pela primeira vez em dezembro do ano passado, solto logo depois por decisão de seus pares na Assembleia, e novamente preso em março deste ano. O ex-deputado é acusado de vazar uma operação policial a outro político: o ex-deputado TH Joias preso, em setembro, suspeito de ser o braço político e operador financeiro do CV.
Os mandados de prisão preventiva contra os sete suspeitos — todos cumpridos na ação desta terça-feira — foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), assim como 23 ordens de busca e apreensão em endereços na cidade do Rio, em Campos dos Goytacazes, na região Norte, e em Miracema e Bom Jesus do Itabapoana, no Noroeste Fluminense. A decisão inclui ainda o afastamento do parlamentar da função pública.
Entre os arquivos encontrados pelos investigadores no computador ligado ao ex-presidente da Casa, foi identificada uma planilha com a relação de deputados estaduais e as respectivas indicações para cargos em órgãos estratégicos do governo do Estado. A partir daí, foram reunidas informações que serviram de base para a expedição dos mandados.
Na Educação, o esquema perpetrado por Rangel, segundo a PF, consistiria no direcionamento de obras de reforma em escolas públicas do Norte Fluminense para empresas pré-definidas com integrantes da organização criminosa.
Rodrigo Barcellar e Thiago Rangel, ambos presos pela PF, mantinham relação de amizade e parceria. O laço era demonstrado nas redes sociais com troca de frases que reforçavam a união, como: “Estamos juntos, irmão”.
Foi em janeiro que a PF enviou ao STF o relatório final que indiciou Bacellar e TH Jóias por ligação com o Comando Vermelho. De acordo com o documento, assinado pelo delegado Guilhermo Catramby, foi identificada uma “teia de interações e relacionamentos escusos”, que revela “a existência de um verdadeiro estado paralelo, capitaneado pelos capos da política fluminense”.
TH foi preso em setembro do ano passado, no âmbito da Operação Zargun, por usar seu mandato parlamentar para favorecimento do CV. No entanto, a PF aponta que houve vazamento da ação que iria prendê-lo, o que levou às prisões de Bacellar e do desembargador Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), três meses depois. TH, Bacellar e outras três pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal. Já o caso do magistrado foi remetido para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Agora, cabe à PGR oferecer ou não denúncia e enviar o caso à Justiça.
Segundo o relatório da PF, que aponta que Bacellar exerce “a liderança do núcleo político” do CV, o “maior ativo” do então presidente da Alerj na posição que ele exercia era a “capacidade de interlocução e persuasão em todos os poderes do Estado do Rio de Janeiro”.
Entre os exemplos elencados pela PF, além de adiantar para TH que ele seria alvo de uma operação (a polícia observa que não foram encontrados pertences relevantes em seus endereços, o que já indicou vazamento), esteve um pedido do ex-governador Sérgio Cabral para que Bacellar, enquanto presidente da Alerj, “intercedesse junto à Sexta Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Rio”: a intenção era que o julgamento de um processo contra Cabral fosse retirado de pauta.
“Constatou-se que o maior ativo de Rodrigo Bacellar é a sua capacidade de articulação espúria em todos os poderes fluminenses, a ponto de conseguir o atendimento de favores e contraprestações que colocam os pedintes em posição de gratidão e vulnerabilidade”, avalia a PF sobre a atuação do parlamentar nos casos de TH e Cabral.
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