A Polícia Federal concluiu que o Banco de Brasília (BRB) teve participação direta nas irregularidades envolvendo aportes bilionários no Banco Master e não pode ser tratado como vítima do esquema investigado.
A apuração envolve operações que somaram cerca de R$ 12 bilhões por meio da compra de carteiras de crédito consideradas fraudulentas.
O relatório sigiloso foi enviado ao ministro André Mendonça, do STF, no mês passado. O documento serviu de base para justificar a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, acusado de receber R$ 146 milhões em imóveis como propina.
Segundo a investigação, dirigentes do BRB tiveram conhecimento das suspeitas de fraude ainda no segundo semestre de 2024, quando começaram as operações com o Banco Master.
Mesmo assim, os gestores decidiram manter os contratos. A PF afirma que documentos internos, depoimentos, mensagens e relatórios financeiros mostram que o banco ignorou alertas sobre problemas graves nas carteiras adquiridas.
Os investigadores também destacam que o banco utilizava planilhas de Excel para controlar operações bilionárias e não possuía estruturas adequadas de governança para acompanhar os contratos.
Como revelou o Estadão, uma auditoria interna do BRB detectou que parte das carteiras vendidas pelo Master continha e-mails falsos, idades fictícias e informações inconsistentes.
Segundo a PF, a direção do BRB nunca entregou espontaneamente esse material às autoridades. Os investigadores só tiveram acesso aos documentos após apreensões realizadas na Operação Compliance Zero.
A investigação também identificou pressão sobre funcionários para aprovar contratos em poucos minutos, sem análise técnica adequada.
Depoimentos colhidos pela PF mostram que integrantes da área jurídica do BRB recomendaram cautela desde março de 2025.
O ex-diretor jurídico Jaques Maurício Ferreira Veloso afirmou que as operações começaram a gerar preocupação dentro do banco e que a documentação chegava aos diretores apenas no momento das votações.
Em outra reunião, Luana registrou que Paulo Henrique Costa defendia a continuidade dos aportes porque “o Master iria quebrar” sem as operações.
Na outra ponta da investigação, a PF apreendeu mensagens de Daniel Vorcaro e executivos do Banco Master discutindo alterações em documentos ligados às operações com o BRB.
Segundo os investigadores, os diálogos mostram tentativas de ajustar contratos já assinados para tentar dar aparência de legalidade às transações.
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