Sorridente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não faz questão de esconder o acordão com Davi Alcolumbre (União-AP), que anunciou uma nova manobra durante a sessão conjunta do Congresso que analisa o veto de Lula ao PL da Dosimetria, na sessão que acontece nesta quinta-feira (30).
Diante da possibilidade da derrubada do veto facilitar a soltura de membros de facções criminosas, como o PCC e o Comando Vermelho, além de “anistiar” Jair Bolsonaro”, Alcolumbre fez uma manobra atípica e retirou da votação o item do PL, vetado integralmente por Lula.
“Em virtude do prejulgamento da matéria pela aprovação do PL Antifacção e sua conversão na Lei nº 15.358, de 24 de março de 2026, esta Presidência declara a prejudicialidade dos vetos aos incisos 4 a 10 do art. 112 da Lei de Execução Penal, alterados pelo art. 1º do PL da Dosimetria. Ficam, assim, excluídos da votação do Veto 3, de 2026, os referidos dispositivos”, disse Alcolumbre.
Na prática, a manobra desvirtua o PL original o que obrigaria uma nova tramitação de toda a proposta.
No plenário, Fernanda Melchionna denunciou a manobra e afirmou que, independentemente da manobra, a derrubada do veto vai beneficiar sequestradores, traficantes e membros de facções.
“Esta cantilena enfadonha que vocês estão fazendo para tentar livrar a cara, não pare em pé. Não pare em pé, presidente Alcolumbre, porque vocês alteram o artigo 112 da lei 7210, que coloca uma mudança no regime de progressão. Vocês vão soltar o Fernandinho Beira-Mar, para soltar o Bolsonaro, vai ficar no dedinho de vocês. Essa votação em Globo, esdrúxula porque nunca existiu e nenhuma votação no Congresso Nacional, não sanará a tentativa de dar carona para outros criminosos”, denunciou a deputada.
Presente na sessão, Flávio Bolsonaro posou para fotos próximo à mesa diretora, tirou fotos com aliados e ganhou de Alcolumbre, com quem trocou afagos, dois tempos de 1 minuto para rebater críticas de adversários.
O primeiro deles foi da fala de Fernanda, que afirmou que “Flávio Bolsonaro, que empregou o chefe do escritório do crime, uma organização de matadores, matadores do Rio de Janeiro”, em relação a mãe e ex-esposa de Adriano da Nóbrega.
Na réplica, o filho “01” de Bolsonaro olhou para a câmera e pediu votos dentro da sessão plenária, sendo bajulado pela base.
Flávio ainda ganhou tempo para rebater Talíria Petrone (PSOL-RJ), que sequer citou o nome do senador durante sua explanação.
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