Nesta semana, Flávio Bolsonaro admitiu que pediu dinheiro a Vorcaro, mas negou que os valores sustentaram o irmão nos EUA.
Uma reportagem publicada pelo site Intercept Brasil revelou que o pré-candidato à Presidência da República solicitou os recursos ao dono do Master dizendo que ele seria investido integralmente no filme.
Os depósitos foram transferidos de fevereiro a maio de 2025. Parcelas atrasaram, e Flávio voltou a cobrá-lo em novembro, um dia antes de Vorcaro ser preso. A empresa usada pelo dono do Master para fazer as transferências foi a Entre Investimentos e Participações.
A reportagem conseguiu contato com André Porciuncula. Por meio de mensagens, ele afirmou que a residência adquirida pelo fundo Mercury não tem “nenhuma relação com Eduardo Bolsonaro” e nem com o banco Master”.
“A casa não tem relação com nenhum dos dois”, afirmou. A reportagem questionou para quem a residência foi adquirida, e Porciuncula afirmou que “esta informação não é de interesse público”.
Nas redes sociais, Eduardo negou que tenha sido beneficiado com o dinheiro de Vorcaro e disse que a suspeita da PF é “tola”. Disse que seu status migratório nos Estados Unidos não permitiria o recebimento de dinheiro de fundos de investimento e que, se isso tivesse ocorrido, as próprias autoridades americanas o teriam punido.
Afirmou também que explicou a origem de todos os seus recursos às autoridades dos Estados Unidos no processo de imigração, sem nenhum problema.
Sobre o advogado Paulo Calixto, Eduardo disse que ele não é um simples escritório de migração: tem mais de 40 anos de experiência, mestrado e doutorado, e atua há mais de uma década na gestão de patrimônio e fundos de investimento.
A migração, segundo Eduardo, seria apenas um departamento do escritório, criado para atender clientes que precisam transferir capital e residência para onde investem.
Em relação ao filme, afirmou que nem ele nem sua família são donos da produção — os donos seriam mais de uma dezena de investidores. Disse que apenas apresentou Calixto a Mário Frias, que procurava investidores, por conhecer a competência do advogado.
Sobre o investimento ter sido feito nos Estados Unidos e não no Brasil, Eduardo argumentou que a produção foi americana, com elenco americano, e que nenhum investidor arriscaria apoiar no Brasil um filme sobre Jair Bolsonaro, pois seria “perseguido pelo regime e atrelado como financiador de golpe”.
Por fim, questionou qual vantagem sua família poderia oferecer a qualquer investidor no período em que as negociações teriam ocorrido: com o pai preso, ele mesmo no exílio e o irmão ainda sem planos de candidatura, concluiu que as acusações não passam de “assassinato de reputação”.
Paulo Calixto é advogado com mais de 20 anos de atuação nos Estados Unidos, especializado em ajudar clientes a estruturar patrimônio e a obter vistos e autorizações de imigração. É descrito como próximo a Eduardo Bolsonaro e participa diretamente dos processos de imigração ligados ao ex-deputado.
Documentos societários mostram que ele controla uma série de empresas no Texas e na Flórida. Uma delas é a própria Havengate, que foi aberta em 2020, de acordo com documentos da Secretaria do Estado do Texas.