A USA Rare Earth, companhia de mineração e processamento de terras raras sediada em Oklahoma, anunciou a compra de 100% da brasileira Serra Verde Mineração, que iniciou sua operação em 2024 com uma planta de extração em Minaçu (GO), um dos maiores depósitos mundiais de argila iônica (o composto de que se extraem os elementos de terras raras, ETRs).
A compra, realizada por um valor próximo a US$ 2,8 bilhões, inclui a aquisição integral da empresa e de sua planta de processamento em Goiás, Pela Ema, a única a produzir em larga escala, fora do continente asiático, os quatro elementos críticos: neodímio, praseodímio, térbio e disprósio.
Os Elementos de Terras Raras (ETR) compõem um grupo de 17 elementos químicos essenciais para tecnologias de ponta nos setores de informação e transição energética. São 15 lantanídeos (com números atômicos 57 a 71), além do escândio (Sc) e ítrio (Y).
Os quatro elementos desenvolvidos pela Serra Verde são essenciais para formar ímãs de alta potência usados em turbinas para a captação de energia eólica, em motores de veículos eletrificados e em ligas magnéticas de alta temperatura.
O acordo de compra vai ser parcialmente pago em dinheiro (US$ 300 milhões), e terá mais 126,8 milhões de ações da empresa distribuídas para a mineradora brasileira, que faz parte de fundos de investimentos privados como o Vision Blue Resources, Energy & Minerals Group e o Denham Capital, firma de transição energética. No total, as ações devem somar cerca de US$ 2,8 bilhões em valor de mercado para a Serra Verde.
O contrato inclui pisos de preço para o disprósio e térbio, justificados como mecanismo de proteção contra a volatilidade dos preços de mercado e uma medida anti dumping contra a China, que tem a maior cadeia de beneficiamento de ETRs do mundo e domina 90% da produção global.
A compra da maior mina brasileira de processamento de ETRs vem em meio à resistência do governo federal em traçar acordos exclusivos com os EUA, e inclusive a rejeição da última proposta dos norte-americanos, que incluía acesso preferencial do país às reservas de ETRs brasileiras e integração a cadeias de extração lideradas pelos EUA.
A ideia é que a empresa adquirida pela USA Rare Earth se torne a principal fornecedora fora do eixo chinês dos minerais de terras raras até 2027, quando seria responsável por até 50% da cadeia de minérios pesados.
Com a aquisição, a companhia incorporada pela USA Rare Earth se torna um compilado de oito operações (no Brasil, na França, no Reino Unido e nos EUA), que realizará todas as etapas da cadeia: da mineração ao processamento e à separação para a metalização que fabrica írmãs permanentes de ETRs.
No Brasil, os operadores principais da antiga Serra Verde mantêm sua chefia sobre as atividades, e grande parte do corpo diretor da companhia mineradora será mantida.
Uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) foi criada para a compra, com o objetivo de garantir um contrato de fornecimento com duração de 15 anos para investidores privados e agências dos EUA ligadas ao governo norte-americano, que devem absorver 100% da produção de Minaçu na Fase I da implantação.
Segundo informações divulgadas pelo Brasil Mineral, agências ligadas ao governo norte-americano poderão adquirir o total da produção a preços mínimos, protegidos por um teto. Quando os preços da produção superarem esse piso imposto, os ganhos devem ser compartilhados entre a Sociedade de Propósito Específico e a Serra Verde.
O movimento é especialmente estratégico em vista do novo prazo do governo dos EUA para a interrupção do uso de insumos de ETRs provenientes da China em materiais militares, regra que entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2027.
Segundo informações do Congressional Research Service norte-americano, o país possui uma capacidade muito limitada para realizar esses processos-chave para o beneficiamento de ETRs e terá, até 2027, de encontrar novos fornecedores à altura.
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