Após médica baleada, motoristas relatam medo na Transolímpica: ‘A gente não vê policiamento’

Mulher foi rendida e baleada por bandidos durante tentativa de assalto. Três bandidos foram presos, dois deles baleados. Polícia Militar diz que mantém policiamento ostensivo contínuo.

Por Lilian Ribeiro e Marcello Victor | g1 Rio e TV Globo

22/04/2026

Após médica baleada, motoristas relatam medo na Transolímpica: 'A gente não vê policiamento'
Médica ia para o trabalho no Samu quando foi baleada nas costas — Foto: Reprodução/TV Globo

Motoristas que usam a Transolímpica relatam medo e cobram mais segurança após o tiroteio que deixou ao menos quatro feridos — entre eles, uma médica baleada na manhã de feriado desta terça-feira (21), na altura de Sulacap, na Zona Oeste do Rio.

Usuários da via expressa dizem que a violência não é um caso isolado e criticam a falta de policiamento em um dos principais corredores de ligação entre bairros da região.

“Eu fico triste porque, infelizmente, a segurança do nosso estado está muito ruim. Essa é a grande realidade. Agora, numa via expressa como essa, acontecer o que aconteceu não era para ter acontecido”, afirmou o corretor de imóveis e motorista de aplicativo Felipe Santos.

Quem depende da Transolímpica para trabalhar relata sensação constante de vulnerabilidade. O eletricista Adriano Oliveira, que também atua como motorista de aplicativo, diz que o policiamento é insuficiente diante do fluxo intenso de veículos.

“Uso bastante a Transolímpica. Trabalho no Aterro do Flamengo e pego sempre a via para seguir pela Barra. O trânsito é muito intenso e você não vê quase policiamento. Não tem segurança nenhuma”, afirmou.

Procurada pela TV Globo, a Polícia Militar informou que mantém policiamento ostensivo contínuo na Transolímpica, com patrulhamento motorizado e pontos fixos em locais estratégicos.

O tiroteio

A manhã de feriado começou com pânico para quem passava pela via. Por volta das 6h30, criminosos armados circulavam em um carro elétrico roubado quando foram localizados por policiais do Batalhão de Bangu. Ao receberem ordem de parada, os suspeitos atiraram, dando início a um confronto.

Motoristas e passageiros buscaram abrigo como puderam. Muitos desceram dos carros e se protegeram atrás da mureta central da pista.

Durante a troca de tiros, um dos criminosos tentou roubar uma moto para fugir e, em seguida, abordou uma caminhonete. Segundo testemunhas, a motorista não parou e acabou baleada.

A vítima é a médica pediatra Simone Ferreira Alves, que seguia para um plantão em uma base do Samu, em Senador Vasconcelos. Ela foi atingida nas costas, passou por cirurgia no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, e o estado dela é estável, segundo a direção da unidade.

De acordo com a Polícia Militar, dois suspeitos foram baleados e levados para a mesma unidade, sob custódia policial. Um terceiro foi preso no local do crime.

Segundo a corporação, o grupo é ligado ao Complexo do Chapadão.

Os policiais apreenderam duas pistolas e o carro elétrico roubado usado pelos criminosos.

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