Correios projetam prejuízo de R$ 9,1 bilhões em 2026, apesar de plano de reestruturação

Se confirmado, rombo será maior que o previsto para 2025, apesar do programa de reestruturação anunciado pela estatal

Por Márcio Juliboni | Veja

12/02/2026 20:09

Correios projetam prejuízo de R$ 9,1 bilhões em 2026, apesar de plano de reestruturação
TIRO NO PÉ Lula: presidente cancelou privatização dos Correios e, agora, lida com rombo bilionário (Ricardo Stuckert)

Os Correios devem apresentar um prejuízo de 9,1 bilhões de reais em 2026, segundo estimativas de sua diretoria. A informação foi antecipada pelo portal de notícias G1. Se confirmado, o valor será maior que as perdas de 5,8 bilhões com que a estatal deve encerrar 2025. O rombo do ano passado poderia ser ainda maior, se a companhia não tivesse adiado o pagamento de algumas obrigações.

O aumento dos prejuízos previsto pela cúpula dos Correios para 2026 indica a pouca eficácia do plano de reestruturação apresentado em meados de outubro e detalhado em dezembro. Nas duas ocasiões, a empresa se comprometeu a cortar despesas, diversificar receitas e recuperar a capacidade financeira para quitar dívidas. Em dezembro, quando as medidas foram consolidadas em um plano de ações que se estende até 2027, os Correios se comprometeram a gerar uma economia anual de 7,4 bilhões de reais. Os cortes de gastos com 15 000 funcionários e o fechamento de 1 000 agências responderiam por 4,2 bilhões de reais desse montante. Já o aumento de receitas aportaria mais 3,2 bilhões.

Retirada do programa de privatização pelo presidente Lula logo após o início de seu terceiro mandato, os Correios se tornaram uma das maiores dores de cabeça do Palácio do Planalto e símbolo da ineficiência estatal. Além de mudanças estruturais em seu mercado com o aumento da concorrência de empresas privadas de entrega e a redução no volume de correspondências em tempos de adoção em massa de meios eletrônicos de comunicação, como os e-mails e o whatsapp, os Correios também sofrem com a ingerência política e decisões que comprometeram sua saúde financeira.

Em novembro de 2024, por exemplo, a estatal concordou em injetar 7,6 bilhões de reais no Postalis, o fundo de previdência dos seus funcionários. A quantia cobre metade dos 15 bilhões de reais das perdas reportadas pelo fundo. A quantia remonta aos prejuízos sofridos pelo Postalis com investimentos realizados de 2011 a 2016, quando Dilma Rousseff presidia o Brasil. As perdas somavam 4,7 bilhões de reais e, corrigidas ao longo dos anos, se transformaram em uma bola de neve.

Para cobrir o rombo operacional e o aporte no Postalis, os Correios chegaram a negociar no fim do ano passado um empréstimo de 20 bilhões de reais com um consórcio de bancos. A operação, contudo, foi vetada pelo Tesouro Nacional, que entraria como fiador, por considerá-la cara demais – equivalente a 136% do CDI, o que corresponde a cerca de 20% ao ano. Nos últimos dias de dezembro, a companhia conseguiu fechar um empréstimo de 12 bilhões com o pool de bancos.

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